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terça-feira, 26 de janeiro de 1988

Luz apagada

Quebrar vidraças, sair voando, gritar e ouvir eco no étero. As correntes fortemente atadas aos pés e mãos não deixam.

Antes, ao menos, existiam sonhos, esperanças, força e razão do duro e anônimo "enfrentar o dia seguinte". Antes, ao menos, escrevia como forma de animar o interior. Antes, havia algum prazer em levantar, abrir a porta e sair. Caminhar, às vezes em círculos, mesmo que fosse para esperar o tempo ocioso passar. Caminhar foi a proposta pare este oitenta e oito, tão enrolado quanto seu modo de representar. Mas está difícil.

Está escuro neste cômodo e eu tenho medo. Um interruptor, por favor! Preciso achar um na parede. Tomara que exista parede.

quinta-feira, 14 de janeiro de 1988

Estagnação

Andar é preciso, tenho consciência disso. Mais que andar, correr, voar, quebrar barreiras...

Fechar os olhos ou só olhar lá na frente, naquele ponto onde deve, a qualquer momento, surgir um foco de luz.

Seis anos se passaram desde que, com alegria incontida, juntei-me à querida família pondo fim à agonia de somente vê-los aos finais de semana.

Seis anos! O que fiz nestes seis anos para melhorar o padrão? Vejo, depois desse tempo todo que foram seis anos deestagnação em todos os campos: material, intelectual, espiritual.